
De acordo com uma reportagem recente do The New York Times, o Google mantém um laboratório secreto em suas instalações. A publicação revela, ainda, que o co-fundador Sergey Brin seria o responsável por liderar uma pequena equipe no desenvolvimento de protótipos futurísticos, um ambiente praticamente desconhecido da maioria dos funcionários da empresa.
“O laboratório fica em um local não revelado, onde robôs podem andar livre e o futuro pode ser imaginado. É um lugar onde a sua geladeira pode ser conectada à Internet, alertando quando os mantimentos chegam a um nível baixo. Seu prato pode postar automaticamente [nas redes sociais] uma foto do que você está comendo. O robô pode ir para o escritório enquanto você fica em casa de pijama. E, talvez, um elevador para o universo”, descreve, com extrema imaginação, o jornal americano.
Conhecido como Google X – não confundir com a antiga página focada nos usuários de Mac (página espelho do blog Google Discovery) -, o laboratório é uma espécie de caixa mágica onde produtos são inventados e testados. Atualmente, mais de 100 projetos estão em andamento e muitos deles direcionados a resolver problemas com o uso da tecnologia.
Dois destes projetos, porém, já são conhecidos público. Estamos falando da tecnologia de direção autônoma para carros, que foi citada em um artigo anterior aqui no TechTudo, e o Android @ Home, uma iniciativa lançada no Google I/O 2011 que dá, ao sistema operacional móvel, a possibilidade de descobrir, conectar e se comunicar com os aparelhos e dispositivos em uma residência.

As outras criações, segundo fontes do NYT, estariam praticamente em estágio conceitual, longe de qualquer realidade. No entanto, há uma esperança de que Brin poderia vir a aprovar o lançamento de um novo produto até o final do ano, algo cujo os detalhes se mantém em completo segredo.
Enquanto muitas das empresas tentam manter seu foco em seus próprios negócios, o Google tem uma atração por tentar criar novos mercados, segmentos onde as empresas dificilmente colocariam investimentos sem uma boa garantia de retorno. A ideia, se comparado, apresenta grandes similaridades com a Xerox PARC, que nos anos 70 desenvolveu o primeiro computador pessoal (laboratório que mais tarde receberia a ilustre visita de Steve Jobs).
No caso do Google, a robótica parece ser o grande desafio de Mountain View. “Frotas de robôs poderiam ajudar o Google a recolher informações, substituindo os seres humanos que, hoje, registram fotos para o Google Maps. Os robôs nascidos no laboratório poderiam ser destinados às casas e escritórios, onde poderiam ajudar com tarefas mundanas ou permitir que as pessoas trabalhem remotamente”.
Outro foco da empresa está em conectar tudo à web, principalmente objetos e equipamentos. Entre as ideias, estão um regador de jardim que possa funcionar de qualquer lugar, um moedor de café com chave remota e até mesmo uma lâmpada de luz que possa ser ligada ou desligada com um clique do mouse ou um toque na tela de um equipamento com Android.

Para compor a equipe, a gigante de Mountain View contratou diversos funcionários da Microsoft, Nokia Labs, Stanford, M.I.T., Carnegie Mellon e New York University. O grande destaque fica por conta de Johnny Chung Lee, um dos desenvolvedores do Kinect, a tecnolologia de grande sucesso da empresa de Steve Ballmer.
“Atualmente, passo a maior parte do meu tempo com projetos futuros, pois esperamos que estes venham a ser promovidos e ganhem um importantes espaço dentro da empresa no futuro”, disse Brin numa entrevista recentemente, sem mencionar o Google X.
No livro In The Plex, uma citação de Larry Page mostra a visão do CEO sobre a tentativa da empresa em levar a tecnologia para segmentos diferentes. “Eu simplesmente sinto que as pessoas não estão trabalhando o suficiente em coisas impactantes. As pessoas estão realmente com medo do fracasso e, por isso, é difícil para elas fazerem coisas ambiciosas. E elas também não percebem o poder das soluções tecnológicas para as coisas, especialmente computadores “.
O porta-voz do Google Jill Hazelbaker não quis comentar sobre o laboratório, mas disse que investir em projetos especulativos tem sido parte importante do DNA do Google. “Enquanto as possibilidades são incrivelmente excitantes, por favor, tenha em mente que as somas envolvidas são muito pequenas em comparação com os investimentos que fazemos em nossos principais negócios”, esclareceu.
Fonte: TechTudo
Renê Fraga